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Nossa Comunidade

Junho 23, 2008

No início, por volta da década de 30, ocorreu a imigração de caboclos de Passo Fundo, Nonoai e Chapecó. Assim em 1930, foi criada a Vila São João, e permaneceu com essa denominação continuou até a década de 40, onde passou a ser chamada de Sede Velha. Mais tarde com a chegada dos imigrantes de origem européia, passou a se chamar: Sede Nova ou Sede Patussi.Depois de tudo, em 10 de agosto de 1956, tornou-se distrito de Chapecó e passou a ser Itaberaba (a qual os índios denominavam: Ita-pedra; beraba-brilhante; referindo-se ao quartzo ametista existente na região). Atualmente, ou seja, desde 26 de setembro de 1991, é considerada como: Nova Itaberaba.

            Sim, na maioria eram os chamados Bugres e Caboclos, pois após a chegada dos imigrantes, não foi registrada a presença de índios na região. Porém hoje em dia, ocasionalmente agricultores do município, encontram vestígios que comprovam a passagem de índios pela região antes do povoamento, que se deu pela presença de italianos, polacos e alemães. No momento, a igreja está trabalhando para resgatar a cultura dos povos deixada para traz com o passar dos anos, através de trabalhos, celebrações, etc.

            Para muitos, Bela Vista da Taquara é um nome comum, porém, possue uma história a ser contada pelos moradores mais antigos. Eles relatam que há muito tempo as pessoas que para aqui vieram, por acaso passaram em um local que se chamava Bela Vista, gostaram do nome para diferenciar colocaram “da Taquara”, pelo motivo obvio, nessa região existiam muitas Taquaras.

            Na década de 40 algumas famílias oriundas do Rio Grande do Sul, partiram de lá, usando carroça como meio de transporte, e assim aqui chegaram, adquiriram terras junto à empresa de Aldo Giacomasi, fixaram residência e deram inicio a uma comunidade.

            No início viviam da caça e com o passar do tempo iniciaram a exploração de madeira, muito rica na região, além disso, trabalhavam na lavoura.

            A idéia da criação da comunidade partiu do senhor Honorato da Rocha e Jose Camilo Rodrigues. Em 1946, reuniram-se com os demais moradores que eram Crispin Lara, Inácio Gromoski, João Ferreira, Floriano Rodrigues dos Santos, João Rodrigues, Ireno Antunes e Pedro Ribeiro, Essas nove famílias marcaram o inicio com a reza de um terço numa das casas, o qual foi rezado por Joaquina Rodrigues de onze anos.

            Neste encontro surgiu a idéia da construção de uma escola. A mesma possuía de 1ª á 4ª série (isolada), foi concretizada com a doação do material bem como a mão-de-obra por parte das famílias. Onde após o termino da 4ª série eram enviados para escola nos distritos (Alto da Serra), para cursar até a 8ª série.

            A primeira professora se chamava Braulina Greice Almeida.

            A pequena comunidade reunia-se aos domingos e rezava o terço. Os primeiros rezadores foram Honorato da Rocha, João Ferri e Pedro Fernandes Zanella. Era também dada catequese na qual a primeira catequista foi Catarina Rodrigues.

            O primeiro estabelecimento comercial era um bar e armazém de propriedade de Floriano Rodrigues dos Santos, o mesmo fornecia remédios tipo Homeopáticos e chás caseiros.

            Os casamentos eram realizados da certa forma: de manhã eram servidos cafés na casa da noiva, com a presença dos padrinhos; o ritual e as demais comemorações eram realizados na casa do noivo, no qual sempre os padres realizavam a cerimônia. As bebidas típicas eram o vinho e a gasosa. Somente anos depois se iniciou a venda de outras bebidas.

            A primeira festa foi realizada em baixo de algumas árvores e obtiveram um lucro de R$0,50 centavos no valor da época. Em 1949 já existiam 24 famílias participantes. Decidiram construir a primeira capela, onde o local a ser construída foi demarcado pelo bispo de palma Dão Carlos de Sabóia, o terreno para construção da mesma foi doado por José Camilo Rodrigues, o material e a mão-de-obra, foi doado pelas famílias associadas. Foi também escolhido e demarcado o terreno, para demarcação do cemitério.

            Na época a comunidade era atendida pelos padres Frei liberato, Frei Elvico, frei João e pelos padres Silvio, Levino, Romoaldo, Guido, Antonio, Alcindo, Darci e Ivo, todos da paróquia Santo Antonio, com o surgimento da paróquia São Cristóvão passou a ser atendida pelos padres, Luiz, Joãozinho, Alfredo, Franscisco, João, Sírio, Almir, Abel, Ivo, Geraldo, Deomingos, Egidio, Dorvalino e Zanella. Em 2003, a comunidade passou novamente a pertencer à paróquia Santo Antonio, tendo como responsável, os padres Paulo Claem e Arnélio Cantoni.

            Em 1954, a comunidade teve as suas primeiras missões, em 1962, as segundas missões, com os padres redentoristas Adilson e Jacinto.

A riqueza dos pobres e excluídos

Junho 23, 2008

De carroça, a cavalo ou a pé, com sacolas nas costas, vinham os imigrantes, principalmente, do Rio Grande do Sul a procura de terras mais baratas. Assim muitas famílias escolheram Chapecó como sua futura cidade.         

João Machado era um homem muito rico, dono de grandes propriedades de terras da região. Mas nunca pagou os impostos e não tinha escrituras. Por isso a prefeitura da época tomou suas terras e começou a oferecer para estes imigrantes a um preço muito pequeno, outras pessoas sabiam dessas terras e montaram suas pequenas casas.

A primeira comunidade em formação na redondeza foi Nossa Senhora do Caravágio. Os primeiros moradores eram da família de Antônio Sachett. Que logo fizeram amizade com os novos moradores.

O primeiro sacerdote  a celebrar missas foi Frei Bruno que vinha de Xaxim, de cavalo ou a pé. Foi ele quem batizou vários moradores da época. A principal celebração era quando de longe vinha a Bandeira do Divino, todos os moradores iam ao seu encontro e passavam em todas as casas,  com os foliões( pessoas que traziam a bandeira). As famílias matavam um porco, cada um levava um pouco e tudo era partilhado. A festa era no “terreiro” das casas, ali também se erguia a bandeira, com a pintura de um santo.

            Na Quaresma não se dançava, eles colocavam uma cruz de cedro, em cada casa e as famílias se reuniam para rezar o terço. O dono da casa saia e a meia noite todos se encontravam no cemitério para entregar as almas e rezar por elas

            Caminhão e carro não passava no pequeno bairro “quando escutava o ronco o pessoal corrida para ver aquele bicho”. Não havia esgoto até um tempo atrás, tudo passava por uma valeta e corria para o rio. Só algum tempo atrás que a prefeitura fez encanamento para água, esgoto e legalizou os terrenos.

            O nome da comunidade sempre foi Vila Rica, mas existem duas versões. A primeira é por causa de um homem bondoso que morava no local chamado Rico Bonafé e a segunda era porque muitas fontes de água nascem aqui. Nossa entrevistada também falou das preocupações que ela sente atualmente na sociedade, principalmente com a formação familiar, “Eu fico preocupada com as crianças de hoje, parece que os pais não cuidam como antigamente, acham que são criação”.

No ano de 1978 as Irmãs de Imaculada Conceição que trabalhavam na comunidade, depois de tantos anos celebrar, fazer reuniões e encontros de catequese debaixo de árvores resolveram doar algumas madeiras para a construção da primeira capela, que se celebra até hoje. O terreno foi doado pelo senhor João Pedroso e com ajuda dos moradores do bairro a capela foi construída.

            Além das celebrações, da catequese e encontros com os moradores da comunidade a pequena capela também servia como colégio, abrigando o primário- jardim. Nesta época o padre que celebrava era Padre Inácio e a participação dos moradores era muita, até a chegada de diversas Igrejas no bairro. Segundo depoimento de Maria que é ministra na comunidade há muitos anos os moradores vêm e vão de religião.

            Atualmente a luta é para construir a nova capela, como o senhor João faleceu, seus familiares exigiram o terreno de volta. Por isso a região comprou dois terrenos para a construção da Igreja, que terá todo o material doado pelas comunidades da Região Pastoral Nordeste, que por meio de um mutirão doaram em forma de material e dinheiro.

            A padroeira é Nossa Senhora Aparecida, porque os moradores se identificam com o rosto humilde e pobre que a imagem transparente “as pessoas tem fé em nossa Senhora porque ela veio de um lugar pobre, do meio do povo sofrido e abandonado”

 

* Relatório escrito segundo informações ouvidas da ministra da comunidade e uma das primeiras lideranças Maria Pedroso e da moradora mais antiga do bairro, chamada Conceição Pedroso de 83 anos, que nasceu e se criou na mesma casa. Conhecida por muitos como Fiinha, que também benze as pessoas em uma sala escura cheia de santos na sua casa. “Quando preciso fazer uma cura peço para Frei Bruno que ele é muito poderoso”.